Indústria 4.0, ficção ou realidade?

Luis Cyrino
7 abr 2017
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Indústria 4.0, ficção ou realidade?

Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial, é um termo que engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos de Sistemas ciber-físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem.

A Indústria 4.0 facilita a visão e execução de “Fábricas Inteligentes” com as suas estruturas modulares, os sistemas ciber-físicos monitoram os processos físicos, criam uma cópia virtual do mundo físico e tomam decisões descentralizadas.

Com a internet das coisas, os sistemas ciber-físicos comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real, e através da computação em nuvem, ambos os serviços internos e intra-organizacionais são oferecidos e utilizados pelos participantes da cadeia de valor.

A revolução Industrial

A primeira revolução industrial mobilizou a mecanização da produção usando água e energia a vapor.

A segunda revolução industrial, então, introduziu a produção em massa com a ajuda da energia elétrica.

Em seguida veio a revolução digital e o uso de eletrônicos e Tecnologia da Informação para automatizar ainda mais a produção.

Origem do nome – Indústria 4.0

O termo Indústria 4.0 se originou de um projeto estratégico de alta tecnologia do Governo Alemão, que promove a informatização da manufatura. O termo foi usado pela primeira vez na Hannover Messe. Em outubro de 2012, o Grupo de Trabalho na Indústria 4.0, presidido por Siegfried Dais (Robert Bosch GmbH) e Henning Kagermann (German Academy of Science and Engineering) apresentaram um conjunto de recomendações para implementação da Indústria 4.0 ao Governo Federal Alemão. Em abril de 2013, novamente na Feira de Hannover, o relatório final do Grupo de Trabalho da Indústria 4.0 foi apresentado.

Princípios de Projeto

São seis princípios de projeto que orientam as empresas a identificarem e implementarem os cenários previstos na Indústria 4.0, são eles:

Interoperabilidade:

A habilidade dos sistemas ciber-físicos (suporte de peças, estações de montagem e produtos), dos humanos e das Fábricas Inteligentes de se conectarem e se comunicarem entre si através da Internet das Coisas e a Computação na Nuvem.

Virtualização:

Uma cópia virtual das Fábricas Inteligentes é criada por sensores de dados interconectados (que monitoram processos físicos) com modelos de plantas virtuais e modelos de simulação.

Descentralização:

A habilidade dos sistemas ciber-físicos das Fábricas Inteligentes de tomarem decisões sem intervenção humana.

Capacidade em tempo real:

A capacidade de coletar e analisar dados e entregar conhecimento derivado dessas análises imediatamente.

Orientação a Serviço:

Oferecimento dos serviços (dos sistemas ciber-físicos, humanos ou das Indústrias Inteligentes) através da Computação em Nuvem.

Modularidade:

Adaptação flexível das Fábricas Inteligentes para requisitos mutáveis através da reposição ou expansão de módulos individuais.

Indústria 4.0 no Brasil

A Indústria 4.0 desponta como caminho natural para aumentar a competitividade do setor por meio das tecnologias digitais. No Brasil ainda é pouco utilizada pelas empresas nacionais. O atraso brasileiro diante da integração das tecnologias físicas e digitais em todas as etapas de desenvolvimento de um produto fica evidente porque 43% das empresas não identificam quais tecnologias têm potencial para alavancar a competitividade do setor industrial.

Nas pequenas empresas, esse porcentual sobe para 57%. Entre as grandes, a fatia recua para 32%. De acordo com pesquisa nacional sobre adoção de tecnologias digitais relacionadas à era da manufatura avançada, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria brasileira ainda está se familiarizando com a digitalização e com os impactos que pode ter sobre a competitividade. O desconhecimento é significativamente maior entre as pequenas empresas (57%).

A pesquisa da CNI realizada com 2.225 empresas de todos os portes em janeiro de 2016, identificou dez tipos de tecnologias digitais usadas pelas empresas e seu uso em diferentes estágios da cadeia industrial.

A maior parte dos esforços feitos pela indústria no Brasil está na fase dos processos industriais. São 73% que afirmaram usar ao menos uma tecnologia digital e o fazem na etapa de processos. Outras 47% utilizam na etapa de desenvolvimento da cadeia produtiva e apenas 33% em novos produtos e novos negócios.

Principais tecnologias da Indústria 4.0

Segundo relatório do BCG (Boston Consulting Group), as principais tecnologias da indústria 4.0, determinantes da produtividade e crescimento das indústrias são:

  1. Robôs automatizados: além das funções atuais, futuramente, serão capazes de interagir com outras máquinas e com os humanos, tornando-se mais flexíveis e cooperativos.
  1. Manufatura aditiva: produção de peças, por meio de impressoras 3D, que moldam o produto por meio de adição de matéria-prima, sem o uso de moldes físicos.
  1. Simulação: permite operadores testarem e otimizarem processos e produtos ainda na fase de concepção, diminuindo os custos e o tempo de criação.
  1. Integração horizontal e vertical de sistemas: sistemas de TI que integram uma cadeia de valor automatizada, por meio da digitalização de dados.
  1. Internet das coisas industrial: conectar máquinas, por meio de sensores e dispositivos, a uma rede de computadores, possibilitando a centralização e a automação do controle e da produção.
  1. Big Data e Analytics: identifica falhas nos processos da empresa, ajuda a otimizar a qualidade da produção, economiza energia e torna mais eficiente a utilização de recursos na produção.
  1. Nuvem: banco de dados criado pelo usuário, capaz de ser acessado de qualquer lugar do mundo, por meio de uma infinidade de dispositivos conectados à internet.
  1. Segurança cibernética: meios de comunicação cada vez mais confiáveis e sofisticados.
  1. Realidade aumentada (Augmented Reality): sistemas baseados nesta tecnologia executam uma variedade de serviços, como selecionar peças em um armazém e enviar instruções de reparação por meio de dispositivos móveis.

Podemos verificar que as tecnologias envolvidas para a implementação da Indústria 4.0 já existem, faltando apenas a conexão entre elas para se tornar uma realidade.

Reflexão sobre o tema

Agora pergunto aos colegas apenas para reflexão, essa nova revolução industrial traz oportunidades ou incertezas quando o assunto é empregabilidade?

Em meio as minhas pesquisas sobre o tema antes de escrever essa matéria, não encontrei nenhuma pesquisa tratando desse assunto, a empregabilidade na indústria 4.0, e você já viu algo a respeito?

Vejo que em todos os segmentos profissionais a evolução dos conhecimentos será sempre necessária. Mas como nos mostra a matéria sobre a Indústria 4.0, não é todo segmento que será capaz de inserir esse conceito. As áreas mais conectadas a esse conceito acredito, são nas áreas de tecnologia e da segurança cibernética e alguns setores dos segmentos da indústria de manufatura. Mas, e o segmento dos profissionais do chão de fábrica, aquelas funções mais operacionais serão beneficiadas ou prejudicadas com esse novo conceito?

Industria 4.0 e a Manutenção

E na área de Manutenção, não temos sequer dados confiáveis sobre as estratégias de Manutenção adotadas em milhares de empresas que temos aqui no Brasil. Tenho uma única certeza, que nossas empresas sequer tratam em sua maioria, a área de Manutenção como essencial para os seus resultados. Sempre nos veem como custos e não como um investimento para manter seu parque de ativos em condições de atender ao que se destinam.

Sequer trabalhamos com as novas ferramentas e tecnologias que tanto se falam por aí, mal vejo empresas usarem como estratégias a manutenção preventiva e preditiva que juntas trazem ótimos resultados. A área de Manutenção hoje, precisa a meu ver, se preocupar mais em aplicar tantas metodologias e estratégias existentes para melhor a performance de máquinas e equipamentos, existe muito o que melhorar.

Conclusão

Conhecimento é essencial e saber como funciona essa Indústria 4.0 é muito importante, o constante aprendizado sobre novos conceitos sempre será bem-vindo. Isso nos ajuda a refletir no que estamos fazendo hoje e onde podemos chegar. É uma simples questão de obter um conhecimento e aplicar para depois adquirir novos conhecimentos e aplicar, simples assim.

Agora precisamos fazer muitas coisas básicas que já existem a muito tempo e colocar para funcionar, depois vemos o que acontece.  Outra coisa importantíssima é que precisamos entender que a modernidade não pode ficar fechando postos de trabalho a todo momento. Digo isso pelo simples fato de que o trabalhador é o elo de ligação do giro de toda economia que existe. Vejamos os novos capítulos que surgirão sobre isso aqui no Brasil, onde o assunto ainda é de entendimento, estudos de viabilidade, ou seja, muitas dúvidas acredito eu. E você meu caro leitor, o que pensa de tudo isso?

 

Referências bibliográficas:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Industria_4.0

https://www.fdc.org.br/…/nucleos/…/boletim_digitalizacao_fevereiro2016.pdf

http://www.portaldaindustria.com.br/agenciacni/noticias/2016/05/pesquisa-inedita-da-cni-mostra-cenario-da-industria-4-0-no-brasil/

Comentários

5 respostas para “Indústria 4.0, ficção ou realidade?”

  1. Esdras disse:

    Parabéns pela matéria Luis!
    Realmente precisamos entender se toda essa nova visão vai ser utilizada algum dia, ou se podemos aplicar tudo isso, e em qual contexto sócio cultural isso poderá ter sucesso. É preocupante pensar que, muitas outras tecnologias e filosofias surgiram e não foram colocadas em prática, pois culturalmente é complicado e ainda ficamos olhando pra tudo isso só no papel. E mesmo que tudo isso possa ocorrer na sua plenitude, temos que pensar, como você disse, no elo da cadeia onde o cliente é a peça chave. Sem ele tudo perde o sentido.

  2. Gilberto Alves Correa disse:

    Parabéns :
    Achei interessante a matéria e é uma forma de forçar os nossos técnicos a trabalhar com a mente e não somente com a força bruta. Eu pessoalmente adora novas mudanças.

  3. Excelente matéria Luís!
    Temos que nos preocupar com o futuro aqui no Brasil, porque essa realidade já é presente nos países de primeiro mundo e está em pleno desenvolvimento.
    Já existe grandes empresas como a GE entre outras implementando essa tecnologia aqui Brasil, ainda muito discreto e não percebemos por não ser acessível.
    Para mim é um Horizonte de reflexão e quebra de paradigmas.
    Obrigado!

  4. Felipe disse:

    Certamente não é ficção. Eu conheci uma indústria dessas no Brasil. Lafarge-Holcin em Barroso-MG é certamente uma Indústria 4.0.

  5. João Batista disse:

    O setor da manutenção tem que concentrar a maior parte do orçamento no planejamento e análises, ou seja, na Engenharia de Manutenção, utilizando as novas tecnologias de diagnóstico para poder programar de forma eficiente as manutenções preditivas e preventivas, além de implementar melhorias constantes nos equipamentos para obter uma melhor disponibilidade de máquina e com isso um aumento na eficiência operacional.

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