Criticidade do estoque da Manutenção

Luis Cyrino
24 ago 2017
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Criticidade dos itens de estoque da Manutenção

Criticidade dos itens em geral de um estoque é uma das necessidades triviais quanto ao seu gerenciamento. Trata-se da sua classificação e avaliação conforme alguns critérios determinísticos e na área de Manutenção não é diferente.

Como os estoques normalmente possuem uma grande quantidade de tipos de materiais, é necessário elaborar uma classificação que possa determinar alguns parâmetros como: quantidades, aquisição, armazenamento, demanda, custos e outros.

Ou seja, os materiais em geral necessários à Manutenção, aos serviços administrativos como as áreas de apoio e à produção em geral, formam grupos ou classes que comumente constituem a classificação de materiais.

Como alguns parâmetros já citados, esses materiais podem ser classificados de diversas formas, seja em relação à sua aplicação na empesa, ao tempo de permanência ou a outro critério que se julgue importante.

Criticidade quanto aos itens da Manutenção

Uma das grandes preocupações na Manutenção é saber ou entender qual a necessidade de se manter em estoque certos itens que possam atender as necessidades do setor.

E isso quanto as quantidades e quais itens serem cadastrados no estoque da Manutenção de forma que não gerem altos custos de capital investido.

Para isso se faz necessário elaborar alguns critérios de avaliação para entender o que de fato é importante e qual a quantidade ideal.

Esse entendimento é para que a Manutenção tenha sempre os recursos do estoque disponíveis para atender a demanda principalmente das áreas de produção.

Como estabelecer esses critérios?

Diante de tal situação podemos atribuir alguns critérios que podem ajudar na elucidação desse problema e que vamos elencar a seguir. Adianto que esse método pode ser alterado conforme a necessidade de cada tipo de estoque, mas via de regra acredito que atende bem de um modo geral.

Esses critérios são baseados em algumas literaturas sobre a gestão de materiais, compilados para que possa atender à necessidade exclusivamente da área de Manutenção. São os chamados critérios “CIAESP”, adaptação do “Manutenção em foco” baseado nas literaturas sobre o tema “Gestão de materiais”.

Quais seriam esses critérios?

  1. CUSTOS

Com certeza uma das principais preocupações de ter um item no estoque é quando ao seu custo. Baseado nesse problema, na década de 50, engenheiros da General Eletric começaram a estudar o “efeito da má distribuição da renda” na administração de materiais para os milhares de itens existentes na organização.

Foi então utilizado o estudo de Pareto com a proposta da curva ABC 20/80. Seu objetivo é identificar os itens de maior valor de demanda e sobre eles exercer uma gestão bem refinada, especialmente porque representam altos valores de investimentos.

Com base nos resultados da curva ABC podemos separar as classes dentro do seguinte critério:

Classe A – até 70% do valor acumulado de consumo (70% dos itens).

Classe B – acima 70% até 90% do valor acumulado de consumo (20% dos itens).

Classe C – acima 90% até 100% do valor acumulado de consumo (10% dos itens).

Nota: esse parâmetro fica a critério de cada empresa, não é a regra.

  1. Grau de IMPORTÂNCIA

Como todos nós sabemos, todo item tem seu grau de importância, uns mais outros menos, mas isso não é desmerecer nenhum item, fica entendido isso. Nesse critério vamos utilizar o conceito do grau de importância operacional conhecido como XYZ.

Esse critério leva em conta o quanto um item é vital e imprescindível para a continuidade de uma operação, ou seja, sua falta leva a interrupção dessa operação, onde:

Grau “Z”: Sua falta acarreta consequências desastrosas pois interrompe algum tipo de processo da empresa. Pode também acarretar riscos quanto ao ambiente, às pessoas e ao patrimônio. Neste caso, classificamos o item como “A”.

Grau “Y”: Sua falta acarreta alguns transtornos interrompendo algum tipo de processo, mas que pode ser contornado num tempo razoável. Neste caso classificamos o item como “B”.

Grau “X”: Sua falta não acarreta nenhum tipo de transtorno nos processos da empresa pois pode ser contornado rapidamente. Sua falta não oferece nenhum tipo de risco. Neste caso classificamos o item como “C”.

  1. Condição de AQUISIÇÃO

Neste critério queremos evidenciar o quanto pode ser fácil ou simples um processo de compra de um item ou o contrário, o quanto é difícil e complicado esse processo ao qual chamamos de AQUISIÇÃO do item.

Podemos ter um item de alto custo, mas que a sua aquisição tem um processo simples e rápido. Isso me dá uma visão de que posso até não ter esse item no estoque ou com uma quantidade mínima.

Esse critério é muito importante na definição de criticidade dos itens do estoque. Vamos ver a seguir os critérios que poderíamos adotar nesse caso:

Item “A”: Aquisição extremamente difícil, envolve diversos fatores complicadores como item de importação ou que requer liberação de órgãos reguladores.

Item “B”: Aquisição de média dificuldade, envolve alguns fatores complicadores como fornecedores específicos ou únicos, mas não é item importado.

Item “C”: Aquisição fácil, não envolve nenhum fator complicador e com muitos fornecedores alternativos.

  1. Condição de ENTREGA

Nesta condição, temos que evidenciar quais seriam as dificuldades e condições de entrega do item adquirido. As vezes temos situações onde o problema não é a aquisição ou custo envolvido e sim como esse item quanto ao tempo, pode chegar para atender a recomposição do estoque.

Vamos ver a seguir alguns critérios que podemos adotar:

Item “A”: Entrega extremamente demorada, envolve diversos fatores complicadores como item importado ou de fabricação complexa e demorada.

Item “B”: Entrega relativamente num tempo razoável, envolve alguns fatores complicadores como fornecedor único e itens de fabricação.

Item “C”: Entrega não apresenta dificuldades, agilidade com entrega rápida.

  1. SIMILARIDADE

Uma avaliação que acredito ser importante na definição da criticidade é a similaridade de um item, ou seja, se na sua falta temos como “adaptar” um outro item em seu lugar com características similares. Podemos definir para essa avaliação alguns critérios que descrevemos a seguir:

Item “A”: Item único e sem similaridade, na sua falta não há nenhuma possibilidade de substituição por ouro item.

Item “B”: Item possui alguma similaridade com outro item, mas que requer adaptações ou modificações para seu correto funcionamento.

Item “C”: Tem muitos itens similares que podem substitui-lo e sem a necessidade de modificações ou adaptações.

  1. PERICULOSIDADE

Não menos importante é definirmos uma avaliação de criticidade para os itens que podem ser tratados como materiais perigosos. São aqueles que oferecem algum tipo de risco, em especial durante as atividades de manuseio e transporte.

Nesta categoria estão inseridos os materiais explosivos, líquidos e sólidos inflamáveis, materiais radioativos, corrosivos, oxidantes etc.

Os critérios para sua avaliação que podemos atribuir são:

Item “A”: Item oferece alto risco as pessoas e ao meio ambiente, em especial durante as atividades de manuseio e transporte.

Item “B”: Item oferece algum risco, mas com procedimentos de segurança seguros tanto durante as atividades de manuseio como transporte.

Item “C”: Item não oferece nenhum tipo de risco, tanto durante as atividades de manuseio como transporte.

Medidas de gestão

Ao final de toda essa avaliação de criticidade, podemos definir para os itens “A” algumas medidas de gestão como aumentar a frequência da análise do comportamento da demanda e do tempo de reposição, assertividade no cálculo do estoque de segurança, elevar o giro do estoque, elevar a frequência de reposição com alteração do ponto de reposição do item, entre outros.

Conclusão

Acredito que a forma como ficaram as definições dos critérios de avaliações dos itens de estoque, podemos fazer de forma mais assertiva a gestão dos itens cadastrados para atendimento à Manutenção.

E com isso, baseado nesses critérios chamados “CIAESP”, desenvolvemos uma planilha descritiva desses critérios e um fluxograma decisório para a definição se um item deve ser classificado como A, B ou C.

Claro que não é um método definitivo e dependendo de cada necessidade, pode ser adaptado conforme necessidade. Fiz esse trabalho para de alguma forma colaborar com os que tem esse tipo de dificuldade, espero que ajude.

Interessados em baixar a planilha e fluxograma do “CIAESP” segue o link abaixo para downloads:

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