Consequências da falha

Luis Cyrino
25 nov 2022
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Consequências da falha

Falhas em máquinas e equipamentos, seja ela oculta, potencial ou funcional traz consigo as consequências da falha e isso precisa ser entendido. A manutenção desses ativos tem como objetivo alcançar a segurança dos colaboradores e confiabilidade do sistema. Portanto entender a consequência da falha é muito importante ao considerar os níveis apropriados de manutenção.

No uso da metodologia RCM no que se refere à consequência, é chamada como gravidade da falha. Portanto ao decidir fazer uma atividade de manutenção, considere qual seria a consequência ao não fazer.

Portanto, entender as consequências das falhas é fundamental para desenvolver um bom programa de manutenção. Assim como nem todas as falhas têm a mesma probabilidade, nem todas as falhas têm a mesma consequência.

Todos da Manutenção devem compreender os conceitos fundamentais de risco para poder avaliar de forma objetiva e eficaz.

Probabilidade e gravidades da falha

A probabilidade de uma falha é uma consideração tão importante na avaliação objetiva de seu risco quanto a gravidade da falha. Negligenciar qualquer um deles pode resultar em sérias consequências.

E que podem atingir pessoas, meio ambiente ou perda substancial ou total de uma capacidade produtiva. Ou mesmo ao negligenciar essas duas variáveis, pode resultar em gasto desnecessário de recursos para “prevenir” uma falha que pode nunca ocorrer.

Ao trabalhar assertivamente nas probabilidades de falhas e suas consequências, fica evidenciado o “custo de oportunidade” de cada estratégia de manutenção.

A gestão precisa entender que a realização de uma manutenção desnecessária reduz recursos disponíveis. E que esses recursos poderiam estar alocados para realizar o trabalho em outras áreas de maior relevância.

FMEA tratando das consequências da falha

Dentro da metodologia da RCM temos a ferramenta da FMEA que trata dos modos de falhas e seus efeitos, ou seja, suas consequências. Usando essa ferramenta, a consequência da falha é denominada como “efeitos da falha”.

E com base nas possíveis consequências, é determinada um nível da gravidade dessa falha, o quanto ela é preocupante em todos os sentidos. Mas aqui não são tratados o quanto uma falha pode ter várias consequências – isso é essencial para determinar a estratégia de manutenção.

Mesma falha, várias consequências

Sempre que for identificado um tipo de falha, seja ela de qualquer nível, é importante entender suas variáveis quanto as consequências. Para cada efeito de uma falha temos seu nível de gravidade, mas esse nível pode ser diferente.

Explico, se um determinado motor falha durante sua operação vai ocasionar um tipo de consequência certo? Mas sempre que esse mesmo motor falhar vai gerar a mesma consequência? Depende, vamos dizer que a falha seja desligar durante a operação da máquina.

Pode simplesmente não gerar nenhuma consequência grave, somente a parada da máquina. Ou pode em algum momento prejudicar certas transmissões mecânicas, que com paradas bruscas podem sofrer alguma avaria. Portanto não se pode garantir que uma determinada falha sempre ocasionará a mesma consequência.

Um outro exemplo clássico das várias consequências ou efeitos de uma mesma falha está no problema das vibrações. Um mesmo equipamento ou sistema de transmissão pode ser identificado problemas com falhas de vibração.

Seus efeitos ou consequências podem ser variados de acordo com o nível dessa vibração. Podemos ter problemas de desalinhamentos, desgastes prematuros, quebras/trincas, fixação frouxa, etc.

Probabilidade, riscos e consequências da falha

A Engenharia de Manutenção ao tratar das falhas de máquinas e equipamentos sempre terá que levar em consideração vários fatores. Entre identificar a probabilidade de falha e sua gravidade, levantar as possíveis variações quanto às suas consequências.

Ao se chegar nessa plena convicção de todas as consequências possíveis, fica mais assertivo o tipo de manutenção a ser implementada. E claro, esse estudo deve sempre começar antes mesmo dessa falha se tornar uma falha funcional, seria o ideal.

Mas independentemente do estágio dessa falha, a identificação de cada modo de falha e suas consequências é essencial. É o ponto de partida para uma manutenção eficiente e de resultados para aumentar a confiabilidade de um ativo.

Sempre para cada falha identificada levantar suas probabilidades de ocorrência e seus riscos aliadas as suas várias possibilidades de consequências. A importância de se identificar os vários tipos de consequências possíveis, é o fato de se prevenir dessa falha com mais eficácia.

Conclusão

O estudo da falha é o método mais assertivo para a definição das estratégias de manutenção mais adequadas. Entender o como essa falha acontece, sua probabilidade, riscos e seus efeitos é parte essencial de uma Engenharia de manutenção focada na Confiabilidade de ativos.

Como parte da chamada “Manutenção moderna”, é preciso focar nos seus primeiros princípios: “falhas acontecem; falhas não tem a mesma probabilidade; uma falha pode ter várias consequências”.

Uma vez assimilado esse conceito, a gestão da Manutenção terá todos os subsídios para elaborar as melhores estratégias em busca da quebra zero. Um trabalho árduo, mas necessário para que a Manutenção se torne cada vez mais uma área estratégica nas empresas.

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