Probabilidade de falhas – 2º princípio

Luis Cyrino
9 set 2022
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Probabilidade de falhas – 2º princípio

Probabilidade é uma palavra cujo conceito básico deriva do Latim “probare” (provar ou testar). Portanto esse conceito de probabilidade é um termo muito utilizado para eventos incertos ou desconhecidos. Essa teoria das probabilidades tenta quantificar a noção de “algo provável” em determinados eventos em que surgem possibilidades.

Existe um conjunto de regras matemáticas onde é possível prever a probabilidade de certos eventos. Probabilidade de acertos, número de vezes, número de ocasiões, entre outras situações que conseguimos calcular através de fórmulas e regras matemáticas.

Em nosso contexto, a probabilidade de falhas é estudada no ramo da Engenharia da Confiabilidade.

E dando continuidade aos princípios da manutenção moderna com base nos estudos da aeronáutica americana, vamos falar do segundo princípio. E esses princípios de Manutenção Moderna, como já mencionado em outro artigo, estão descritos no manual da NAVSEA – Naval Sea Systems Command.

Falhas não tem a mesma probabilidade – 2º princípio

A Engenharia da Confiabilidade define a mesma como probabilidade de máquina ou equipamento fornecer uma função desejada durante um período de tempo especificado. Quando os mantenedores falam de probabilidade de falha, eles realmente querem dizer a taxa na qual esse ativo falhará.

Isso durante um período de tempo, ou seja, a frequência ou taxa dessa falha. Conforme os estudos da aeronáutica dos EUA, base da elaboração da metodologia RCM, as falhas tem vários padrões. Esse estudo também corroborado pela marinha americana que demonstrou os mesmos padrões de falhas.

Conforme esses estudos, temos seis diferentes padrões de falha onde mostra que a maioria dos modos de falha ocorre aleatoriamente. Esses padrões de falha também destacam que a mortalidade infantil é comum. Isso significa que a probabilidade de falha só se torna constante após um período significativo de tempo em serviço.

Tem itens que nunca se degradam ou se desgastam, e se isso acontece é por conta do tempo. Mas muitos itens se degradam tão lentamente que o desgaste não é uma preocupação na prática.

Padrão 30/70% não é uniforme

Então, o que esses padrões nos dizem sobre nossos programas de manutenção confiáveis? Não podemos de forma alguma usar a mesma proporção (70%), mas como base de entendimento.

Ou seja, na maioria de máquinas e equipamentos não faz muito sentido realizar tarefas de renovação com base no tempo. Não faz sentido gastar recursos de manutenção para reparar ou substituir um item cuja confiabilidade não foi degradada a ponto de sofrer uma intervenção prematura.

Hoje temos um entendimento que essa maioria de máquinas e equipamentos se beneficiariam de alguma forma do monitoramento de condições. E a minoria dessas máquinas e equipamentos (30%), podem ser gerenciados com eficácia por substituição ou revisão com base no tempo.

Como mencionado neste tópico, a relação 30/70% é uma estimativa com base nos estudos da aeronáutica e marinha americana. O estudo da Confiabilidade deve ser direcionado a buscar essa relação para cada tipo/segmento de máquinas e equipamentos.

Probabilidade definindo estratégias

A probabilidade nos remete ao estudo da Confiabilidade de ativos que nos fornece subsídios para definição de estratégias de manutenção. Como relatado acima, a ocorrência de falhas não é algo certo e com um único padrão definido.

Conforme a metodologia da Curva da banheira, existem três períodos distintos de falhas. E no período mais longo de vida útil de um ativo, as falhas se tornam aleatórias. Portando, não temos como atribuir a classe de falhas aleatórias uma probabilidade pré definida.

Diante dessas comprovações dos padrões de falhas no estudo da aeronáutica americana, é que se definiu o segundo princípio da manutenção moderna – falhas não tem a mesma probabilidade. E com certeza esse princípio também está diretamente relacionado ao primeiro – falhas funcionais sempre acontecem.

Tipos de ativos dizem muito sobre probabilidade

Outro fator importante quando falamos em probabilidade de falhas é o tipo de ativo em questão. Temos máquinas ou equipamentos que sua forma construtiva pode ou não ter muita tecnologia embarcada.

Ou mesmo ativos onde a sua complexidade construtiva é muito alta, ou o inverso, bem simples. Convenhamos, essas variáveis podem fazer muita diferença quando precisamos definir probabilidades de falhas nesses ativos.

E baseado nisso, usar o termo 30/70% como padrão para definir estratégias de preventiva e preditiva em ativos em geral é um grande erro. Reafirmo isso pois vejo muitos conteúdos sobre o tema usando isso como se fosse a única verdade a ser aplicada. E convenhamos que não é, esse padrão 30/70% é um resultado específico no estudo americano para aeronaves.

Com certeza esse estudo é de grande relevância, importância e um referencial para definição de estratégias de manutenção. Para resolver isso temos a metodologia da RCM – Manutenção Centrada na Confiabilidade. Uma metodologia extremamente eficiente para que cada segmento de ativos possa definir suas estratégias de manutenção.

Conclusão

O que fica notório com base nesse segundo princípio é que definitivamente precisamos trabalhar com a possibilidade de que as falhas não tem a mesma probabilidade. E mais que isso, até para cada tipo de ativo as probabilidades podem ser diferentes por existirem as falhas aleatórias.

Por isso é de grande importância a Engenharia de Manutenção estudar a fundo os tipos de falhas e suas variáveis. Um estudo conciso e baseado em métodos e técnicas adequadas fazem toda a diferença.

 

 

Fonte:

https://reliabilityanalyticstoolkit.appspot.com/static/S9081-AB-GIB-010_R1_RCM_Handbook.pdf

http://www.plant-maintenance.com/articles/SubmarineMaintenanceDataRCM.pdf

https://pt.scribd.com/document/455902858/John-Moubray-Manutencao-Centrada-em-Confiabilidade

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