Falhas, evolução até a quebra

Luis Cyrino
22 out 2017
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Falhas, evolução até a quebra

Falhas e seu conceito básico do termo será levado em consideração a definição contida na norma NBR 5462 – Confiabilidade e Mantenabilidade.

Segundo a norma, falha é caracterizada pela incapacidade de um item em desempenhar uma função requerida, mas diferente da quebra, a falha se trata de um “evento”, enquanto a quebra é um “estado”.

Ou seja, posso ter o evento de uma falha que pode não impedir o funcionamento da máquina, mas limitar algum recurso da mesma por um breve período de tempo. A falha pode ser aleatória, gradual, intermitente, parcial ou sistemática.

Evolução das falhas

Baseada nessa definição acima podemos entender que as falhas podem evoluir para uma quebra se nada for feito nesse período desde o início dessa falha. Nesse contexto vamos entender um pouco mais sobre como as falhas podem evoluir até chegar a interrupção de fato de uma máquina ou equipamento ou mesmo de um processo.

Então podemos considerar que muitas falhas não acontecem repentinamente, mas se desenvolvem ao longo de um certo tempo.

Vejamos a seguir como acontece essa evolução das falhas:

  1. Falha oculta

Temos inicialmente o período que antecede a detecção de uma falha que é denominado de “falha invisível” ou “falha oculta”. Corresponde a alterações anormais que gradativamente evoluem até que possam vir a ser detectadas, quer seja pelas técnicas preditivas, via inspeções periódicas ou outras técnicas.

Esse estado da falha oculta ou invisível ocorre de tal modo que não é possível perceber que determinado item ou componente está iniciando esse processo ou estado de falha.

Assim o conceito de falha oculta se refere a uma função cuja falha não se torna evidente para o operador ou para o profissional da Manutenção. Esse estado de falha pode ou não ter impacto direto no processo produtivo de uma máquina ou equipamento ou num processo como um todo.

  1. Falha potencial

A falha potencial é a falha possível de ser detectada por pelo menos uma das técnicas preditivas, ou mesmo via inspeções periódicas por meio da mão de obra operacional ou da Manutenção.

É a falha que indica um certo nível de degradação de algum item ou componente, exigindo um monitoramento sob condição específica.

A falha potencial é a condição identificável que indica se a falha funcional está em vias de ocorrer. Representam o ponto onde um item físico começa a apresentar perda do desempenho da função requerida.

  1. Falha funcional

Quando a falha potencial não é visualizada ou entendida, se estenderá de modo até culminar na “falha funcional” da máquina ou equipamento. É quando este item não desempenhará mais as suas funções de origem, inviabilizando a continuidade da produção de modo pleno e satisfatório.

Ou seja, a falha funcional pode ser definida como a incapacidade de um ativo cumprir as atividades operacionais previstas conforme parâmetros de projeto ou dentro de limites aceitáveis após determinado tempo de operação.

  1. Falha total (quebra)

Se mesmo entendido que a falha está em seu estágio funcional, ou seja, a máquina ou equipamento trabalhando sob condições anormais e nada for feito, é inevitável que a falha passe para seu último estágio, a falha total onde mais conhecemos como quebra.

Nesse estágio a máquina ou equipamento pára totalmente, só restando a intervenção da Manutenção como uma corretiva, a pior situação da consequência de uma falha.

Ações sobre a falha

O período de desenvolvimento de uma falha desde a fase oculta até se tornar uma falha total é muito difícil de mensurar, pode durar muitos meses ou poucos dias.

Para que a intervenção corretiva planejada seja possível de realizar antes que ocorra a falha funcional, o intervalo entre a falha potencial e a funcional deverá ser maior que o tempo requerido para o entendimento da falha.

Conclusão

O avanço da tecnologia permite que cada vez mais, as falhas que antes eram ocultas sejam rapidamente descobertas após o seu surgimento.

Isso com intervalos de tempo menores devido ao aumento da precisão dos equipamentos preditivos e de outras técnicas desde as mais simples como as inspeções periódicas via os sentidos humanos ou da metodologia FMEA muito mais precisa.

Outro meio muito difundido nos dias de hoje é sobe a metodologia da Curva da banheira. Como na   maioria   dos   casos, as   falhas   acontecem em função do tempo, utilizando esse método é possível que seja demonstrado essa probabilidade de falhas ao decorrer do tempo da vida útil dos componentes.

Entendemos com isso que as falhas desde a sua faze oculta, está se tonando cada vez mais possível sua identificação com a utilização de várias técnicas e métodos.

Basta entender quais os meios mais adequados para se fazer essa monitoração ou entendimento das possíveis falhas de acordo com o processo, máquina ou equipamento que se faz necessário avaliar. Com isso definir as melhores estratégias de Manutenção para fazer frente à essas possíveis falhas melhorando assim a confiabilidade dos ativos e processos.

Comentários

3 respostas para “Falhas, evolução até a quebra”

  1. William Alves de Oliveira disse:

    Excelente, a cada artigo lido vejo que o conhecimento nessa área é algo vasto e parece não ter limites. Parabéns por mais um artigo de excelente qualidade, agrega muito!

  2. Fabio Muniz disse:

    Muito bom relembrar esses conseitos, as vezes na correria do dia a dia nos tornamos muito prácticos e pouco didáticos.

  3. Ramiro R Silva disse:

    Conteudo de importancia Fundamental para o controle e Gestao da manutenção .

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