Quando a Preventiva se torna um problema

Luis Cyrino
25 nov 2018
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Quando a Preventiva se torna um problema

Preventiva – Como mencionado numa matéria anterior, uma manutenção está baseada no princípio em que toda máquina e/ou equipamento no decorrer do seu tempo de uso está sujeito a um processo de desgaste / deterioração.

Com isso, inevitavelmente faz-se necessário nesse intervalo de tempo algumas intervenções de reparos, troca de peças e componentes, lubrificação e inspeções. Baseado nesse decorrer de tempo, ficou evidenciado que uma manutenção poderia ser feita com certa periodicidade.

Surge então uma forma de manutenção das mais difundidas e usadas hoje em dia é a Manutenção Preventiva, baseada no tempo e dados estatísticos.

Problemas com a estratégia da manutenção Preventiva

Sabemos que para uma preventiva dar resultados temos que nos ater a alguns critérios e meios de colocá-la em prática. Como vimos na matéria sobre o planejamento de uma preventiva, temos algumas etapas a serem observadas.

E mais que essas etapas, também temos outras necessidades para que uma preventiva tenha os resultados esperados. E baseado nessas etapas e outras necessidades, é que uma preventiva pode passar de uma solução para um problema.

Assim essa preventiva não vai dar resultados!!!

Uma manutenção preventiva não é simplesmente agendar a sua parada e sair trocando peças a “torto e direito”, não é não!!! O planejamento de uma preventiva deve ser muito bem elaborado e cada vez que se pára o mesmo ativo, nunca é a mesma coisa.

São muitas as situações em que uma manutenção preventiva pode dar errado e não atingir seus objetivos e que tentaremos elencar algumas delas.

Histórico de paradas e indicadores – KPIs

Se as atividades de manutenção são mal gerenciadas e muito menos computadas em um sistema, fica difícil conseguir um histórico confiável e indicadores.

São informações importantes para a tomada de decisão dentre os ativos de uma planta quanto às melhores ações a serem realizadas.

Entendimento com a Produção e suas necessidades

A interação da Manutenção e Produção é ponto chave para se conseguir o melhor entendimento de problemas nas máquinas e equipamentos. Isso ajuda sobremaneira a Manutenção para agir em pontos específicos onde ficou evidenciado algum tipo de problema pelos operadores.

Se essa interação por qualquer motivo é comprometida, sabemos que não haverá aquela cooperação esperada. E como resultado, o que poderia ser resolvido na preventiva, ficará sem a devida solução e isso pode ter certeza, acontece.

Definindo o plano de ações e recursos

Todas as ações definidas num plano de manutenção, mais algumas definidas baseadas em históricos e/ou com a Produção, devem ser bem elaboradas.

E muito importante a definição de todos os recursos necessários para cada atividade pré-definida. Portanto a falta de assertividade nessa etapa do planejamento da preventiva pode comprometer e muito os resultados esperados.

Programação da parada

O cronograma geral ou mapa das 52 semanas deve ser cumprido conforme elaborado e acordado com Produção e PPCP. Quando essa programação da parada fica sendo postergada, compromete e muito o planejamento da Manutenção. E mais que isso, a máquina ou equipamento fica à mercê de eventuais problemas causados pela falta dessa parada.

 Execução e check list final

A qualidade da mão de obra da Manutenção é essencial para que todas as atividades sejam realizadas conforme necessário. Tudo o que foi planejado para cada atividade se espera que seja realizado e quando isso não acontece, compromete os resultados da preventiva.

Outra questão as vezes ignorada é a realização do check list final, ou seja, na hora de entregar a máquina ou equipamento para a Produção. É importante verificar de tudo foi realizado, de acordo e que tudo está em funcionamento correto e livre de impedimentos para seu pleno funcionamento.

Planos de manutenção e lubrificação

Os planos de manutenção e lubrificação devem ser revisados a cada preventiva baseada nos históricos de cada ativo. Tudo que foi realizado a nível de melhorias também deve ser observado se altera ou não alguma atividade do plano.

Todos os métodos de manutenção sempre são melhorados por meio de ferramentas e metodologias novas. Tudo isso deve ser usado para melhorar os planos de manutenção e lubrificação, nada deve ficar engessado.

Periodicidade / intervalo das paradas

Os intervalos de paradas podem e devem ser revisados quando são inseridos melhorias ou novas estratégias de manutenção. A Manutenção deve inserir como estratégia algumas técnicas preditivas que fazem com que alguns itens passem a ser monitorados e com intervenções diferenciadas da preventiva.

E melhorias nos sistemas em geral podem fazer com que certas atividades sejam extintas ou com necessidades de intervalos maiores.

Conclusão

Acredito que são algumas situações onde o mal gerenciamento delas podem acarretar em preventivas mal resolvidas. Sabemos que uma preventiva se baseia muito em troca de peças e componentes sem que os mesmos estejam totalmente comprometidos.

Com isso seus custos por vezes são considerados altos e gestores acabam por “boicotar” algumas paradas alegando falta de recursos. A verdade na minha visão, é que uma preventiva não pode ser uma estratégia isolada da Manutenção.

Um bom começo seria se juntar a preventiva, as técnicas preditivas de acordo com cada necessidade e as inspeções periódicas. Uma outra boa pedida seria implantar os pilares básicos da TPM, com certeza os resultados seriam muito melhores.

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