Reativo ou ativo, modelo de estoque mais adequado na Manutenção

Luis Cyrino
10 out 2018
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Reativo ou ativo, modelo de estoque mais adequado na Manutenção

Reativo ou ativo são modelos de gestão de estoques muito utilizados nas empresas, cada qual se adequa mais para determinados setores com diferentes características de consumo.

Decidir qual o melhor modelo é um dos objetivos da gestão de estoques baseado no segmento de consumo no qual esse estoque está sendo formado. Tal decisão busca otimizar o investimento em itens sobressalentes, aumentando a confiabilidade e uso eficiente dos estoques e adequando as necessidades de capital investido.

A assertividade na gestão de estoques é algo que deve tomar muitos cuidados dos gestores envolvidos durante a sua formação e definição do modelo de gestão. As melhores decisões são fundamentais para garantir a eficácia na gestão e para o correto funcionamento das operações, quer seja ela para um ou outro setor da organização.

Modelo reativo

O modelo hoje denominado tradicional ou reativo, são modelos de estoque que permitem uma pré definição de quando e quanto abastecer sem que seja necessário obter previsões sobre a demanda.

Os modelos reativos são baseados em parâmetros pré-fixados que estabelecem as quantidades de máximo e mínimo e um ponto de reposição, ou seja, um valor intermediário.

São chamados de reativos pois a reposição de um item acontece baseado numa demanda inconstante ou menos previsível, por isso a necessidade de um ponto de reposição pré-estabelecido.

Modelo ativo

Os modelos ativos levam em consideração a demanda prevista futura e o estoque físico atual para determinar quando um item será necessário. Esse modelo ativo de estoque trabalha com uma demanda revisada periodicamente, isso para evitar distorções possíveis ao longo do tempo.

Portanto essa possível variação de demanda pode ser prevista em dado momento e os estoques abastecidos no momento da demanda e com a quantidade correta.

Portanto nesse modelo de estoque ativo principalmente, o conhecimento da demanda é essencial para não afetar o “quanto e quando” reabastecer o estoque.

Então, qual o melhor?

Baseado nas definições acima podemos entender que os dois modelos de estoques são eficientes e tem os mesmos problemas que precisam ser observados.

No modelo reativo pode se tornar inadequado quanto os valores estimados da demanda e seus valores pré-determinados dos seus parâmetros, não se aproximam dos valores reais da demanda.

No modelo ativo que deve trabalhar com previsões de demanda refeitas periodicamente, a sua eficiência depende de o quanto a previsão dessa demanda se aproxima da demanda real.

Podemos verificar portanto que a falta de conhecimento da demanda prejudica todos os modelos de estoque. Os reativos por suas variações no tempo e nas quantidades, e os ativos pelos desvios e/ou erros de previsão.

E na Manutenção, ativo ou reativo?

Para se determinar qual o modelo de estoque é o mais ideal em qualquer setor, é imprescindível conhecer alguma previsão de consumo.

Entender algum tipo de previsão é o início de todo planejamento de estoques, é nesse entendimento que podemos garantir a eficácia do tipo de gestão mais adequado. Na Manutenção essa previsão de consumo é uma das tarefas mais difíceis de se estabelecer e por várias razões.

Determinar o nível dos estoques de sobressalentes da Manutenção é altamente influenciado por algumas características, tais como:

Modo de utilização e operação

O quanto e como um ativo é utilizado depende e muito das programações de produção e do nível de seus operadores. As vezes uma máquina é programada para trabalhar sem intervalos e com isso manutenções planejadas são postergadas.

Ou o nível dos operadores não é o ideal o que pode gerar quebras e desgastes prematuros. Tudo isso interfere e pode provocar muitas intervenções que naturalmente vão aumentar o consumo de peças e componentes.

Estratégias da Manutenção

A falta de estratégias como inspeções periódicas, preventivas e preditivas por exemplo podem acarretar muitas variações de consumo. Isso porque as paradas inesperadas ou corretivas, serão altas e imprevisíveis e o consumo também se altera sem uma certa previsibilidade.

Histórico das intervenções

Ter um banco de dados de todas as intervenções da manutenção é essencial para entender a previsão de consumo. Sem onde recorrer fica difícil podermos definir uma certa previsão de consumo de peças e componentes.

Claro que essas informações isoladamente não é tudo, mas faz parte na definição dos itens e quantidades a se cadastrar nos estoques.

Criticidade de máquinas e equipamentos

Definir a prioridade dos ativos é parte essencial para definição dos estoques de sobressalentes de manutenção. Máquinas e equipamentos classificados como “A” por exemplo, tem um tratamento diferenciado para aqueles classificados como “C”.

Disponibilidade de Manuais

Com certeza ter os manuais de máquinas e equipamento é muito importante para a manutenção. E por vários motivos, um deles é na definição de quais itens colocar no estoque.

O fabricante já tem por definição, uma lista do que considera importante como sobressalentes de manutenção. Se não tem o manual, consulte o fornecedor da máquina ou equipamento, ele pode e deve ajudar nessa questão.

Conclusão

A definição dos estoques de sobressalentes para as atividades de manutenção tem muitas variáveis. E precisamos entender cada uma delas para buscar a melhor estratégia de gestão desses estoques. O importante também é definir alguns procedimentos e revisões periódicas dessas estratégias e outras ações como Acuracidade.

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