Corrosão de Metais: O papel da manutenção na prevenção

Luis Cyrino
31 jan 2022
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Corrosão de Metais: O papel da manutenção na prevenção

A corrosão de metais, popularmente chamada de ferrugem, é um processo natural em que o metal se deteriora por conta de reações causadas pelo oxigênio. Trata-se de um termo um tanto quanto amplo, já que existem três tipos de corrosão: química, eletroquímica e eletrolítica.

A do tipo eletroquímica é a mais comum, uma vez que está ligada à variação do tempo, como chuva, calor e umidade. Essa transformação pode trazer grande prejuízo devido aos danos que causa a estrutura do metal, mas é possível reduzi-los com a manutenção preventiva.

Continue a leitura e saiba mais.

Como ocorre a corrosão de metais?

A corrosão acontece devido a uma reação química gerada pelo contato dos metais com o oxigênio presente na água ou no ar. Como esses metais possuem potenciais de oxidação maiores que os do oxigênio eles vão perdendo elétrons para o oxigênio, o que causa a sua deterioração.

O oxigênio do ar em si não é um grande problema, pois a perda de elétrons ocorre de maneira lenta, no entanto, a presença de umidade e água acelera o processo de corrosão, uma vez que forma íons capazes de conduzir melhor os elétrons, acelerando o processo.

Todos os metais sofrem com a oxidação, com exceção do ouro e da platina. Em determinados metais, essa oxidação é mais rápida e em outros é mais lenta, visto que ligas metálicas e demais processos agem como uma espécie de proteção.

É o caso da galvanização, também chamada de zincagem por alguns profissionais. Esse processo recobre o ferro ou aço com uma camada de zinco metálico, um metal potencialmente menos oxidante que os demais. O intuito aqui é proteger a chapa.

Além deles, outros agentes e processos reduzem esse risco, como o revestimento de sulfeto de prata, que funciona como uma “película” de proteção.

Os prejuízos causados pela corrosão

Apesar de ser um processo natural, a corrosão causa prejuízos no mundo todo, além de uma série de problemas para a sociedade.

Por exemplo, uma viga de concreto em uma edificação que começa a se deteriorar precisa ser substituída para que não coloque em risco a integridade física dos moradores.

Quase tudo que é de metal pode enferrujar: utensílios domésticos, equipamentos industriais, estruturas de pontes, peças automotivas, enfim. O que não puder ser recuperado deve ser substituído, principalmente se representar um risco, como o caso das vigas.

Em cidades litorâneas e costeiras, o processo de corrosão ocorre de forma muito mais acelerada em relação às cidades interioranas.

Nessas cidades, o prejuízo econômico, social e tecnológico é ainda maior, não só para a população, como também para o estado. Casas, carros, barcos, estruturas metálicas e até mesmo edifícios sofrem com a oxidação dos metais.

Até a famosa estátua da liberdade nos Estados Unidos sofre com a corrosão. Sua estrutura é de ferro sobre placas de cobre, e como está em um ambiente marinho, o cobre é afetado pelo ar úmido do mar.

Isso forma o azinhavre, uma espécie de camada tóxica de diferentes tipos de hidróxido de cobre e carbonato de cobre que proporciona um tom esverdeado à estátua. O ferro também é afetado, perdendo elétrons, o que aumenta sua corrosão e abala a estrutura do monumento como um todo.

O prejuízo é grande para todo mundo e não só para a estátua. Para se ter uma ideia, 20% de todo o ferro produzido no mundo é para a substituição.

São bilhões em prejuízo se levar em consideração todas as peças que precisam ser substituídas por conta da ferrugem, no entanto, parte desse problema poderia ser evitado com a manutenção preventiva, ao invés da reparativa.

É como dizem: prevenir é melhor do que remediar. E isso também vale para as grandes estruturas de metal.

Como fazer a manutenção preventiva de metais

Atualmente existe uma série de opções no mercado que auxiliam na prevenção à corrosão, de modo a aumentar a vida dos metais e reduzir a oxidação, sobretudo nas cidades litorâneas. Pode ser uma pintura, um revestimento, entre outras opções. Vou recomendar algumas:

Lubrificantes de metais – também são chamados de condicionadores de metal e tem como objetivo reduzir a corrosão, ação do tempo, atrito entre superfícies, entre outros problemas. É a solução mais simples e indispensável para quem quer aumentar a vida útil das ligas metálicas.

Inibidores de corrosão – são usados principalmente no concreto, de modo a retardar o processo de deterioração das armaduras metálicas. É fácil de aplicar se comparado a outras técnicas com a mesma finalidade.

Galvanização a frio – refere-se ao processo de pintura/revestimento da superfície do metal com soluções e tintas com elevadas concentrações de zinco. A maior parte utiliza o spray, o que facilita sua aplicação e fixação.

Revestimento epóxi – esse tipo de revestimento é ideal para pisos e chapas de metal. Parece um porcelanato de fácil instalação e que aumenta a resistência do material.

Fundo convertedor de ferrugem – essa é uma opção para quem já teve parte do metal deteriorado, mas ainda tem solução. É um produto aplicado diretamente sobre a corrosão e em pouco tempo age como uma camada para receber a tinta, que deve ser a base de esmalte sintético. A vantagem aqui é que ele substitui outros processos como o lixamento da peça de metal ou jateamento.

Independente da técnica ou produto utilizado para retardar a corrosão ou preveni-la, a manutenção é a melhor forma de lidar com a corrosão de metais. O objetivo maior é preservar a estrutura de metal, evitar danos a ela, aumentar a segurança e reduzir as perdas.

 

Sobre o autor: Enrico Bertanha, diretor da Bepex, tem mais de 20 anos de experiência em fabricação e aplicações de chapas expandidas e perfuradas.

 

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