Disponibilidade e suas classificações

Luis Cyrino
27 jan 2022
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Disponibilidade e suas classificações

Disponibilidade é uma métrica importante usada para avaliar o desempenho de sistemas reparáveis. Tal métrica leva em consideração as propriedades de confiabilidade e capacidade de manutenção de um componente ou sistema. Importante saber que existem diferentes tipos de classificações dessa métrica.

Segundo a NBR 5462, disponibilidade é a capacidade de um item estar em condições de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tempo determinado.

Isso levando-se em conta os aspectos combinados de sua confiabilidade, mantenabilidade e suporte de manutenção, supondo que os recursos externos requeridos estejam assegurados.

Disponibilidade é uma das três variáveis utilizadas para o cálculo da eficiência global de um equipamento – OEE. Nessa variável, assunto do artigo, são vários fatores que fazem corroborar para um prejuízo na eficiência de um ativo produtivo.

Fatores como falta de matéria prima ou insumos, tempo de setup, falhas ou quebras, falhas programação, entre outros.

Temos um artigo que fala especificamente sobre fatores da Manutenção que prejudicam o OEE quanto a Disponibilidade de máquinas. Neste artigo vamos falar sobre os tipos de classificações de disponibilidade.

Classificação de Disponibilidade

A classificação dessa métrica é baseada nos tipos de tempos de inatividade usados no cálculo e na relação com o tempo – intervalo de tempo ao qual a disponibilidade se refere. Devido a essa relação com o tempo, há várias classificações diferentes, vejamos a seguir:

A física

A disponibilidade física mostra a porcentagem do tempo disponível que um equipamento ou máquina estava operando com base em sua programação de produção.

Os elementos de medição de desempenho são o tempo produtivo menos o tempo de inatividade expresso como uma porcentagem do tempo programado disponível.

Conforme Branco Filho (2000, p.41) essa disponibilidade é definida como “a probabilidade de que um item possa estar disponível para utilização em um determinado momento ou durante um determinado período de tempo”.

A intrínseca

A disponibilidade intrínseca de um sistema ou equipamento é a probabilidade de que ele esteja operando satisfatoriamente em qualquer momento quando usado nas condições estabelecidas, onde o tempo considerado é o tempo de operação e o tempo de reparo ativo.

Ou seja, é a forma teórica de dizer que um ativo tem as condições de desempenhar suas funções conforme definidas pelo projeto.

Assim, esse tipo de métrica exclui da consideração todo o tempo livre, tempo de armazenamento, tempo administrativo e tempo logístico.

Como o nome indica, intrínseca se refere principalmente à capacidade integrada do sistema ou equipamento de operar satisfatoriamente nas condições estabelecidas. Relaciona diretamente os tempos de MTBF e MTTR.

Instantânea (ou pontual)

É a probabilidade de que um sistema está operacional (instalado e funcionando) em um momento específico. A disponibilidade pontual é muito semelhante à função de confiabilidade, pois fornece uma probabilidade de que um sistema funcionará em um determinado momento.

Ao contrário da confiabilidade, no entanto, a medida de disponibilidade instantânea incorpora informações de capacidade de manutenção.

Disponibilidade média

A disponibilidade média é a proporção de tempo durante um período de tempo em que o sistema está disponível para uso. Representa o valor médio da função de disponibilidade instantânea ao longo do período.

Para sistemas que possuem manutenção periódica, a disponibilidade pode ser zero em intervalos periódicos regulares. Nesse caso, a disponibilidade média é uma medida mais significativa do que a disponibilidade instantânea.

Assintótica ou de estado estacionário

A disponibilidade de estado estacionário do sistema é o limite da função de disponibilidade, pois o tempo tende para o infinito. No entanto, deve-se notar que o estado estacionário também se aplica à disponibilidade média.

Para considerações práticas, a função de disponibilidade começará a se aproximar do valor de estado estável após um período de tempo de aproximadamente quatro vezes o tempo médio até a falha.

Isso varia dependendo dos problemas de manutenção e da complexidade do sistema. Em outras palavras, você pode pensar nessa métrica de estado estacionário como um ponto de estabilização onde a disponibilidade do sistema é aproximadamente um valor constante.

Inerente

Disponibilidade inerente é a métrica de estado estacionário quando se considera apenas o tempo de inatividade de manutenção corretiva do sistema.

Esta classificação é o que às vezes é referido como a disponibilidade vista pelo pessoal de manutenção. Esta classificação exclui paralisações para manutenção preventiva, atrasos logísticos, atrasos no fornecimento e atrasos administrativos.

Como essas outras causas de atraso podem ser minimizadas ou eliminadas, um valor que considera apenas o tempo de inatividade corretivo é uma propriedade inerente ou intrínseca do sistema.

O tempo de inatividade corretivo reflete a eficiência e velocidade do pessoal de manutenção, bem como sua especialização e nível de treinamento.

Ele também reflete características que devem ser importantes para os engenheiros que projetam o sistema, como a complexidade dos reparos necessários.

Também sobre fatores ergonômicos e se a facilidade de reparo (manutenção) foi adequadamente considerada no projeto.

Operacional

A disponibilidade operacional é uma medida da média “real” durante um período de tempo e inclui todas as fontes de tempo de inatividade.

Tais como tempo de inatividade administrativo, tempo de inatividade logístico, etc. É o tipo de disponibilidade que o cliente realmente experimenta.

É essencialmente a disponibilidade a posteriori com base em eventos reais que aconteceram com o sistema. As classificações dessa métrica discutidas anteriormente são estimativas a priori baseadas em modelos de falha do sistema e distribuições de tempo de inatividade.

Em muitos casos, a disponibilidade operacional não pode ser controlada pelo fabricante devido à variação na localização, recursos e outros fatores que são de competência exclusiva do usuário final do produto.

Conclusão

Independentemente do tipo de disponibilidade usada para definir como métrica na empresa, o foco é ter um alto índice desse indicador.

E como fazer para alcançar níveis satisfatórios dessa métrica? É preciso focar todos os esforços em vários níveis de atuação e que podem comprometer esse índice.

Segundo a norma NBR 5462, faz menção onde a disponibilidade pode ser afetada por um possível problema somente de manutenção dos ativos.

Mas não se engane, o problema pode estar acontecendo também em outros níveis, como operacional e suprimentos (matéria prima e insumos). É o que vimos até agora, nas definições básicas de todos os tipos.

Portanto, tudo que pode afetar essa métrica de um ativo produtivo deve ser considerada. Premissa básica de cálculo da métrica mais importante utilizada pelas empresas, o OEE.

No caso da Manutenção é necessário ter boas práticas com estratégias assertivas para melhorar constantemente os KPIs do MTBF e MTTR. Isso inclui uma gestão assertiva de pessoal, de peças sobressalentes, gestão de contratos, e bom relacionamento com seus pares e fornecedores.

Fica claro que a gestão é parte essencial para isso, é onde toda a solução começa, não só para a Manutenção, mas para todos os setores da organização.

 

Fonte:

https://www.weibull.com/hotwire/issue79/relbasics79.htm

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