Periodicidade da calibração de instrumentos

Luis Cyrino
7 fev 2022
0
805

Periodicidade da calibração de instrumentos

Periodicidade de calibração de um instrumento ou meio de medição é uma atividade essencial para garantir assertividade em muitos processos.

Definir essa periodicidade de calibração de instrumentos é importante para que esse intervalo de tempo seja ideal. Isso porque se for definido um intervalo pequeno demais, pode ter desperdício.

E o contrário, ou seja, um intervalo grande demais entre uma calibração e outra, pode acarretar problemas de medição.

Portanto essa periodicidade é um intervalo de tempo onde existe alta probabilidade de que o desvio desse instrumento de medição não tenha ultrapassado os limites aceitáveis.

De acordo com a ISO 9001:2015, os instrumentos de medição devem ser calibrados e/ou verificados em intervalos especificados.

Isso está especificado quanto a gestão da garantia da qualidade, setor que normalmente trata essa necessidade. Este intervalo especificado, que deve ser justificável, representa a periodicidade de calibração, ou seja, o tempo entre duas calibrações e/ou verificações.

Como proceder para estabelecer essa periodicidade?

Podemos elencar vários meios para definir uma periodicidade, a mais assertiva possível, próxima do ideal. Quando se trata de instrumentos de medição novos, normalmente o fabricante do mesmo estabelece uma sugestão desse intervalo.

O problema é que as variáveis dos inúmeros processos existentes são fatores determinantes para essa definição. O que podemos afirmar é que definir a periodicidade de calibração de instrumentos é um trabalho de ajuste por certo tempo.

Dizer que a primeira definição é a ideal não é garantido, nem mesmo a indicação fornecida pelo fabricante. Portanto, baseado nessas situações elencamos a seguir os vários fatores e variáveis que precisam ser avaliadas ao definir essa periodicidade:

Histórico de calibrações

Um fator que com certeza faz toda diferença é entender o comportamento de um instrumento após várias calibrações. Digamos que a periodicidade inicial estava determinada para ser calibrado a cada doze meses.

E verificando e comparando os últimos resultados dessa calibração não houve variações significativas. Ou se verificando e comparando esses mesmos resultados, houve variações significativas com prejuízo para o processo. Baseado nesses dois comparativos fica claro que essa periodicidade deve ser alterada.

No primeiro caso podemos aumentar esse intervalo e para o segundo caso diminuir esse intervalo. E obviamente, seguindo a premissa de avaliar sempre o histórico desse instrumento, verificar se o tempo ideal foi alcançado. Ou seja, se conseguiu estabelecer uma estabilidade desse instrumento evitando qualquer tipo de prejuízo.

Tempo de atividade

Outro fator que interfere sobremaneira na definição da periodicidade é o tempo em que o instrumento fica ativo, em uso. Um instrumento que fica ativo constantemente devido a alguns processos contínuos não pode ter o mesmo tratamento de um instrumento onde o processo não é contínuo.

Isso precisa ser levado em consideração, principalmente nos casos de instrumentos iguais, mas em processos diferentes. Ou seja, a periodicidade de um não é referência para o outro.

E tem casos onde o tempo de atividade do instrumento não tem um padrão certo, varia demais. Nesses casos o ideal é encontrar uma média aceitável de tempo de uso para ajudar nessa definição.

Mesmo instrumento, processos distintos

Como citado no item anterior, podemos ter vários instrumentos de um mesmo modelo, mas instalados em processos distintos. É comum definir a periodicidade de calibração por tipo/modelo iguais de instrumentos. Isso não é a meu ver uma boa prática se não for considerado que seja o mesmo processo.

Para processos distintos, essa periodicidade deve ser tratada baseada de maneira diferente, sem considerar como base o fato de serem iguais. Portanto, é necessário considerar as variáveis que estamos citando aqui.

Manutenção precisa entender dos Processos da empresa!!

Ambiente de trabalho

O ambiente onde esse instrumento vai ser usado também faz toda a diferença ao se definir a periodicidade de calibração. São vários fatores que podem interferir no desempenho de trabalho desse instrumento. E isso pode fazer com que a periodicidade de calibração deva ser menor que o recomendado. São situações do tipo:

  • Calor excessivo
  • Equipamento com alta vibração
  • Ambientes poluídos ou corrosivos
  • Excesso de pico de medições

Alguém pode dizer que instrumentos de medição são fabricados para todo tipo de situação de uso, sim isso é verdade. Mas essas condições adversas devem ser consideradas, avaliadas se não interferem de alguma maneira na prática.

Instrumento novo ou em uso

No caso de instrumento novo é simplesmente utilizar a recomendação do fabricante e ajustar com o tempo, caso necessário e de acordo com as variáveis existentes. Ou se já tem instrumento igual funcionando e mesmo processo, praticar a mesma periodicidade.

No caso de instrumento já em uso e vai se implantar a calibração dos mesmos, importante buscar algum tipo de histórico de calibrações que precisaram ser realizadas. Ou mesmo algum histórico de intervenções de manutenção que ocorreram pode ajudar.

Caso nenhuma dessas alternativas ajude, usar a periodicidade recomendada pelo fabricante. Se também não encontrar essa informação, estabeleça uma periodicidade base de doze meses e fazer o ajuste.

Criticidade do instrumento

Tem instrumentos de medição que são mais críticos para os processos do que outros, sua precisão é fator essencial. Podemos citar a indústria farmacêutica onde os instrumentos de medição têm uma elevada precisão. E para seus processos, certas variações nos instrumentos é crítico, podendo levar a sérios problemas.

O que queremos enfatizar é que, todos os tipos de instrumentos de medição têm sua criticidade de uso. Podemos comparar com as máquinas, quando fazemos a classificação ABC. Para certos processos, uns são mais importantes porque interferem sobremaneira na qualidade do produto ou serviço.

Outros fatores a considerar

Para concluir as variáveis que devemos considerar tem aquele instrumento “volante”, é levado onde precisa medir (transporte). São vários tipos de instrumentos que são levados onde se precisa fazer aferições/medições.

Na Manutenção temos alguns exemplos como alicate amperímetro, multímetros, medidores de temperatura, entre outros. Tem outras situações que por serem levados de um lado para outro é preciso cuidar. São situações de quedas, choques ou mal uso dos mesmos.

Todas essas situações, entre outras, pode interferir na precisão de seu funcionamento e necessitar de calibração. E definir um intervalo entre uma calibração e outra, também merece atenção.

Rastreabilidade e incerteza de calibração

Finalmente, algumas coisas vitais que você deve lembrar com qualquer calibração são rastreabilidade e incerteza. Resumidamente, rastreabilidade significa que todas as suas calibrações (instrumentos de medição) devem ter uma *rastreabilidade válida para os padrões nacionais relevantes.

Sempre que fizer uma medição, você deve estar ciente da incerteza relacionada a essa medição. Se a rastreabilidade e a incerteza não forem considerados, a medição não tem muito valor.

*Rastreabilidade: Segundo a norma ISO 9001, rastreabilidade é a habilidade de rastrear o histórico, aplicação ou localização de um objeto. Sua distribuição e localização do produto ou serviço após a entrega.

Conclusão

A tolerância das medições deve ser baseada principalmente nos requisitos do processo, e nas inúmeras variáveis que possam existir.

E para esse processo de calibração é necessário ter um procedimento aceito no sistema de qualidade. Um documento essencial para poder fazer as devidas alterações dos períodos de calibração e também definir responsabilidades.

Uma análise de risco adequada deve ser realizada ao determinar o período de calibração dos instrumentos. Uma premissa a considerar ao decidir sobre um período de calibração de qualquer instrumento é o custo e as consequências se a calibração falhar.

É preciso entender as consequências entre os custos do programa de calibração versus os custos de não calibrar o suficiente. A pergunta que fica é: O que pode acontecer se este instrumento falhar?

 

 

Fonte:

https://www.temcom.com/what-is-the-periodicity-or-calibration-interval-of-an-instrument/

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *